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Corpo | Dança
Contato Improvisação:
Contato Improvisação é um sistema de movimento baseado na comunicação entre dois ou mais corpos em movimento e seu relacionamento combinado com as leis físicas que governam sua moção. É também um lugar de encontro sagrado e de inspiração que traz à tona uma verdade física/emocional com respeito a um momento partilhado de movimento que deixa os participantes informados, centrados e avivados. Fazer Contato com outro ser implica forjar um universo onde nós podemos empreender riscos, intercâmbio, comunicação e testemunho. É um cruzamento fértil onde habilidade, instinto e imaginação poética convergem. Neste trabalho, o corpo deve aprender a abandonar uma certa qualidade de voluntariedade a fim de estar aberto para novas sensações e experimentar o fluxo natural de movimento. (Andrew Harwood)
A Improvisação em Contato (para se aproximar do entendimento de Contact Improvisation), é uma prática criada nos Estados Unidos, na década de setenta. A concepção da prática foi influenciada pelo Aikido, utilizando centros de gravidade, rolamentos, quedas e demais mecanismos de sustentação do corpo. Os encontros são como Jams, assim instaura-se a qualidade de improviso e a abertura de composições instantâneas.
É uma prática muito ampla e livre, sem definições muito formais, para não cercear as possibilidades de movimento ou até de pausas aparentes (= "pequena dança"). Ainda assim, linguagens, códigos, espirais vão se desenvolvendo nessa dança como padrões motores recorrentes, e jogos possíveis. Sinto que a informação de contorno provocada em nosso corpo pelo contato com o outro, com o chão, com o ar, nos mapeia e nos expande a cada instante, a cada milímetro. Tudo ganha densidade. E a relação entre sentir e mover passa a ser simultânea. A gravidade será a guia nesse jogo, ou seja, vontades pessoais de movimentação poderão quebrar com o fluxo natural do movimento. É necessário ter uma escuta fina, e ela abrirá o portal para o deslocamento no espaço, de modo fluido.
Para maiores aprofundamentos pesquise por Steve Paxton ou Nancy Stark Smith.

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Oficina ministrada no encontro Dança e Devires (no Sítio Samaúma-Sarar):
Corpo-içado, gesto e deriva:
O corpo içado é uma reorganização estrutural e comportamental, não cartesiana, mas empírica e poética. É uma prática que investiga estados de presença desdobrados da relação com a gravidade, nossa primeira e maior relação da vida. No princípio, de fato, começamos com o corpo líquido, intra-uterino. Depois, saímos, e com a gravidade, somos um corpo ancorado. Nosso peso nos permite a sensação de não nos confundirmos com o mundo. Os músculos anti-gravitacionais, encarregados de garantir nosso equilíbrio, antecipam-se a cada um
de nossos gestos.
A relação com a gravidade já contém um gesto, uma resposta expressiva inerente. Por sua via, a gestão do peso modifica a carga expressiva do gesto.
Essa gestão do peso, específica e individual, é o que nos faz reconhecer, sem erro, e apenas pelo ruído que produz, uma pessoa que nos é familiar descendo uma escada.
É no gesto que a produção de sentido se organiza.
O sentido, que aqui é tanto vetor quanto significado, é por onde podemos ser içados. Nos movemos instigados por algo.
No entanto, esse algo se é pré-determinado, fecha-se a gama de infinitas possibilidades no espectro de um percurso. Percebemos essas varias possibilidades se experimentamos uma atenção difusa, e entramos em um estado de deriva.
Se não elegemos graus de importância entre as coisas através do nosso julgamento, passamos a nos relacionar com o mundo, e com nós mesmos, como testemunhas. Dessa forma, encontramos uma prontidão frente a um corpo imprevisível. Assim como passamos a ser o corpo imprevisível nesse estado de deriva.
Voltando à gravidade, o desequilíbrio já é deriva. Em menor escala, os microajustes que fazemos a todo instante para estarmos em equilíbrio, essa pequena dança, já é deriva.
É estar sempre jogando o peso no futuro. É estar içado.
A deriva passa a rastrear o devir - o sentido pelo qual somos içados.
Ferramentas/inspirações: Improviso Cênico, Performatividade, Pequena dança, Contato improvisação, Material para coluna, Respiração, Visão, Fisiologia do aparelho fonador, Somatic Voicework, Chi Kung, Kinomichi, Rolfing, Huber-Godard
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